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Artist
Para que exista uma boa canção é preciso que aconteça o despertar afetivo entre receptor e emissor através de duas características distintas, porém complementares: o ouvir e o ler. Nossos ouvidos estão encarregados de captar o ritmo, que por sua vez, funciona como a primeira porta, o cartão de visitas que pode nos presentear com um amor a primeira vista ou nos mal agradar com o pífio. É esse barulho que nos aprisiona na inevitabilidade da paixão, funcionando como nosso lado emotivo, imensurável. A leitura de uma canção é a investigação do que ela realmente é. Além do que se quer dizer, as palavras servem para acender os cantos da imaginação, acabando por desenvolver uma infinita gama de interpretações. Assim, nossa visão age sobre uma “possível verdadeira intenção” do autor. Esse momento funciona como a razão, completando e delimitando - mesmo que de forma absurda e estouvada – o “feeling” do ritmo. É entre essas duas características, buscando sempre o equilíbrio, que a Telesônica busca apoiar suas composições. Sublinhando a valentia do som, que tenta corromper a inércia, com o raciocínio de letras que não sabem omitir a invariável beleza da interpretação. "Perto de marte”, o primeiro EP da banda, que contém quatro faixas (“Perto de marte”, “Heroísmo”, “Copos verdes” e “Guitarras e pouca paixão”), tenta se livrar do enquadramento minimalista da atual música popular brasileira, sem deixar de capturar a essência do devaneio-música, ou seja, o bater o pé. User-contributed text