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"Lua de Mel Como o Diabo Gosta", lançado em 1987, é um dos capítulos mais controversos e fascinantes da discografia de Gal Costa. O álbum surgiu em um momento de grande expectativa, seguindo o sucesso estrondoso de "Bem-Bom" e de uma turnê internacional com Tom Jobim, mas o caminho que Gal escolheu surpreendeu a crítica e o público. O disco mergulhou a fundo no pop característico dos anos 80, apresentando um repertório carregado de baladas românticas e sensuais, um afastamento significativo da imagem de musa da Tropicália que Gal carregava. O processo criativo do álbum refletia uma fase de paixão na vida pessoal da cantora, como uma "lua de mel com os sentimentos". A ousadia, no entanto, não estava apenas no conteúdo musical. A capa do disco tornou-se icônica, mostrando Gal de costas, fumando, com uma toalha na cabeça dentro de uma piscina, um gesto provocativo para uma artista de seu calibre, que escolheu não mostrar seu rosto. Na produção, Guto Graça Mello, que também foi o produtor, optou por arranjos muitas vezes considerados "pasteurizados" pelo technopop da época, com destaque para a influência de Lincoln Olivetti em algumas músicas. O repertório era um caldeirão de influências, com uma significativa aposta em Lulu Santos, então um compositor em ascensão na MPB, que contribuiu com três músicas: "Arara", "Lua de Mel" e "Creio". A faixa de abertura, "Arara", é raivosa e exagerada, com agudos que demonstram o domínio técnico vocal de Gal no seu auge. O álbum ainda contava